terça-feira, 17 de novembro de 2009

Its my world...


Querido diário Furabrejeiro, gostaria de dividir uma parada que ultimamente tem tirado meu sono: A atual vida da mídia impressa! Será que alguém vai deixar de ler revistas, gibis, jornais e livros e trocar tudo pela tela do computador?

Diariamente me pergunto o que fazer para manter os anunciantes interessados, como manter a credibilidade do meio, como satisfazer os leitores, como conquistar novos? Como não desaparecer  diante da evolução diária e desenfreada da tecnologia? A resposta é: Adaptação. (como já dizia Darwin, a adaptabilidade faz parte da seleção natural onde apenas aqueles capazes de se preparar e se adaptar, sobreviverão). É isso? 

Quer um exemplo? O maior jornal de todos os tempos, o NYTimes. Quer ler? Baixe o aplicativo do iphone, você nunca mais achará o impresso.

O esforço para se destacar são vários. Percebemos que é a hora de repensar modelos de negócios. Já postei aqui, por exemplo, a ação de Realidade Aumentada da Trip e, alguns já viram os aplicativos de Trip e Tpm para iphone. Os sites, os projetos especiais (que geram conteúdos customizados) assim como as redes-sociais, ganharam mais atenção e cuidado.

Acredito que, cada vez mais, os leitores (consumidores) ao buscar o que lhes interessam, saberão exatamente como e onde achar e, como e onde consumir. Vivemos na era da conquista. A guerra é pela fidelização. A identidade e a relação emocional que você tem com determinada marca é o que define o que ela é. Você é, o que você compartilha. 

Toda essa “revolução” ou “todas essas tendências-que-deixaram-de-ser-tendências-e-já-acontecem” são muito mais uma nova realidade comportamental do que apenas novas-ferramentas-ou-novas-tecnologias.

Este post me ocorreu por querer dividir algumas ações muito bacanas que vi este mês em algumas revistas: 

1.) A nova edição da Esquire traz um exemplo prático do que a realidade aumentada pode nos proporcionar:

video


2.) A revista Strategy (Canadá) vendeu todas as páginas de publicidade da sua próxima edição, pelo preço que os anunciantes estivessem dispostos a pagar. Dizem que tiverem uma “resposta razoável” mas, não divulgaram nenhum dado concreto sobre o resultado.
3.) A revista The Week (EUA) jura aos anunciantes que seus anúncios serão mais vistos do que nas revistas concorrentes. Caso o anúncio feito na revista não esteja entre os três mais lembrados em uma pesquisa com os leitores, a revista oferecerá páginas gratuitamente para o anunciante até que o mesmo apareça no topo das pesquisas.


4.) Mês passado a Trip lançou uma “Stunt Cover” (que é uma maneira de usar as capas de formas não convencionais). 

Em um especial sobre a Honestidade, foi encartado na capa, notas verdadeiras de R$2 e a seguinte chamada:  “Foi você que perdeu esse dinheiro?” Ainda na capa, um pedido para que o dinheiro fosse devolvido para o verdadeiro dono (caixa postal da Trip).

A ação gerou muita mídia espontânea, muito boca-a-boca e cobertura nos melhores blogs de comunicação. 

Teremos meses promissores em relação à ações em bancas e, meu palpite é que dificilmente as revistas sumirão. São muitas as discussões em torno do futuro, poucas definições e eternas mutações. (cacete, pareceu o Alan escrevendo, né?)

Será que chegará o dia em que vou entrar no site da minha revista preferida, escolher as matérias que mais me interessam, a capa, as fotos, o tamanho da fonte, qual making of quero receber por email, qual música quero ouvir, pagar um valor (que já saberia qual é), receber o pdf para ler e imprimir na hora e, dois dias depois receber ela impressa bonitinha no aconchego do lar?  

I hope so... 

Bjos

G. 

8 comentários:

  1. Excelente tópico esse Gustavo.

    Esse é um tema que está bem em alta entre os publicitários, jornalistas e afins.

    Eu vou emitir a minha opinião.

    Eu já comprei muito mais revistas no passado do que compro hoje. Alguns dos motivos que encontrei para que essa mudança de hábito acontecesse :

    1) A qualidade editorial das revistas brasileiras caiu demais. Sua Trip é uma rara exceção ! O trabalho da Trip é primoroso pois continua fiel e ainda melhor que nos tempos que foi lançada. As matérias continuam profundas, as páginas negras representam o melhor bate papo impresso das bancas brasileiras, os ensaios das meninas são excelentes, classudos e tesudos ! Se a Trip tivesse entrado na do mercado em geral, teria perdido a própria essência. Encurtaria as páginas negras para um página, mandaria o Veríisimo fazer viagens só no território brasileiro, dispensaria o Duran como colunista e só faria matérias com os esportistas da vez. Acho que é isso que ocorreu com títulos que um dia foram nobres como 4 Rodas, Playboy, a própria tendenciosa Veja. Acho que a indústria das revistas se rendeu ao apelo do gossip, do consumo rápido de pseudo-notícias (como os milhares de casamentos dos globais, as férias de luxo da Xuxa, etc etc). O que um dia eram títulos especializados hoje viraram "resumos impressos", sem personalidade nem qualidade.Estão tratando o meio impresso como a Internet. Na web a info tem que ser rápida. No print não. Tem que ter "estofo" para segurar o interesse do público por ao menos 1 mês.

    2) Preço das revistas gringas : eu sempre comprei muita revista gringa, primeiro pra ficar ligado no que acontece lá fora, segundo porque são notoriamente melhores que as daqui. Você citou um exemplo matador que é a Esquire. Depois preciso passar pra vc um artigo que mostra a evolução gráfica da revista...com todas as capas publicadas até o ano passado. Eles sempre mantiveram a essência deles " no matter what". Essas capas atuais são um show de design e grafismo. Confesso que comprei Esquires só pelo brilhantismo das capas ! Mas é duro manter o hábito com uma revista sendo vendida por 40 paus...ou até 70 como as FHMs inglesas...essa eu lia mensalmente, era uma referência bruta de men's lifestyle. Até com música eu pego mais leve hoje em dia. Na casa dos meus velhos eu devo ter uns 15 anos de Guitar Worlds guardadas...mas eu parei de comprar regulramente já faz tempo. Primeiro porque eles reciclam Guitar Heroes a cada 6 meses...parece que não tem assunto mais. O EVH ilustra uma capa de GW 2 vezes ao ano hehheeh. Fora que a qualidade caiu tb.

    3)A Internet veio pra ferrar mesmo. A estratégia de mostrar apenas "alguns" trechos da publicação impressa na web já tem sido suficiente para muita gente não querer a versão original impressa. Para mim isso não é nunca suficiente...nada como o cheiro de revista nova, a textura do papel, enfim...acho que sou velho e gosto dessas coisas hehehehe. Revistas masculinas por exemplo estão fadada ao fim mesmo. Hoje em dia vc vê um ensaio inteiro mesmo antes da revista chegar na banca. Fodeu.

    pra variar escrevi demais.

    Mas deixo pra vc um link de uma coisa que vi essa semana que na minha opinião representam o "futuro" de publicações impressas...

    Muito melhor que R.A., a integração de smart phones com uma edição print pode ser BEM INTERESSANTE...check this out

    http://leonardoxavier.typepad.com/mobilizado/2009/11/sensacional.html

    aquele abraço

    Marcus

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  2. Muito interessante sua abordagem, Guga.
    No setor fotográfico está o maior alvoroço em relação a essa questão do 'fim' do material impresso em bancas - jornais, revistas.
    Posso dizer com todas as letras que é sensível a migração de fotojornalistas para outros setores da fotografia, como a 'Cobertura de Eventos Sociais e Empresariais', setor onde atuo através da marca 'M31 DIGITAL STUDIO' e também o aumento de fotojornalistas no setor publicitário onde auto com a marca 'PAULO VILLAR'. Além do que o digital permitiu que muitas pessoas (os brasileiros estão em primeiro lugar) se apaixonassem pela fotografia e passassem a experimentar o prazer de 'produzir' fotos - acho isso muito bom, apesar de vários amigos fotógrafos afirmarem que 'agora todo mundo se acha fotógrafo'.
    Voltando ao ponto . . .
    10 anos atrás eram bastante comuns matérias especiais em que partiam fotógrafo + jornalista + assistente para o registro e levantamento de regiões geográficas, situações e acontecimentos políticos, registros vários e distantes (imaginem o custo disso). Essas matérias especiais eram patrocinadas dentro do negócio do jornalismo amplo, chegando essas equipes a se estabelecerem por mais de 06 meses para o resultado final.
    Há 05 anos atrás quando algumas poucas pessoas indicavam esse futuro sombrio para a imprensa, foram criticadas e desacreditadas.
    Porém o que se vive hoje, pelo menos no setor ao qual estou ligado, é exatamente esse pavor dos fotojornalistas de terem perdido seu segmento de atuação.
    Não acho que será tão contundente assim, fim do papel impresso???!!! não acredito totalmente, concordo em parte com você, Guga, até porque as novas ferramentas utilizadas pela imprensa linkam 'papel e cibernética'- vejam o video 01. Ferramenta já utilizada pela TRIP.
    Mas acho que a tecnologia não é exatamente ou apenas o resultado da mudança comportamental de uma população. Acho até um pouco vice-versa essa análise. Sendo a tecnologia que modifica o negócio e o comportamentamental. Para em seguida ser modificada também pelo resultado que ela mesma iniciou. Considero que, somente após a assimilação da nova tecnologia que o comportamental se modifica, numa espécie de moto contínuo como é a vida em sentido lato.
    PV

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  3. Legal sua abordagem também Marcus.
    Assisti ao link iphone x Book. Demais isso.
    Ilustra muito bem nosso ponto de vista.
    Sugiro uma breja gelada para afinarmos nossa posição.
    abx
    PV

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  4. Outra coisa que considero importante dentro dessa polêmica de ' tecnologia e comportamental' somado à ética.
    Está em debate em Paris uma lei que proíbe o uso de tratamento de imagem nas fotos de modelos. A premissa se fundamenta na questão do que é verdadeiro, real? Qual a credibilidade que podemos depositar na imagem de uma pessoa que 'não existe', que anuncia um produto e/ou emite uma mensagem/opinião.
    ÉTICA>>>
    Mes passado fotografei uma menina de 05 anos para um anúncio. O cliente pediu tantas mudanças em uma imagem linda de criança graciosa, que a menina virou outra pessoa, outra coisa, descaracterizando a 'pessoa' que ela é.
    1. que mensagem emiti essa pessoa que não existe. Tudo bem, pode-se argumentar que uma ilustração de uma pessoa também pode emitir uma opinião, etc.
    2. porém, eticamente, qual será a percepção dessa criança ao constatar que aquela pessoa no anúncio (grande veiculação nacional) não é ela, mas algo que imaginam dela como vendedora de consumo. Imaginem o que será comentado com essa criança na família, na escola, etc.'Mas essa não é você'.
    Discussão em pauta. Tecnologia e Comportamental.
    abx
    PV

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  5. Mais um post bacana do Paulo.

    Eu não acho bacana esse lance de "horas de sistema" para Photoshoppar modelos. Acho que tem situação que é "relativamente aceitável",vamos supor, um ensaio de moda numa Vogue, numa In Style...acho que faz parte do universo fashionista hardcore as modelos "photoshopadas", idealizadas como seres quase perfeitos. Porém, tem casos, especialmente na publicidade, que há exagero. Há abuso do bom senso. Acho que quando Dove lançou a campanha pela Real Beleza essa bola foi levantada...aquele video EVOLUTION que mostrava como uma mulher comum virava uma quase celebridade de Hollywood "assustou" muita gente e fez com que esse assunto foi tratado com certo receio...

    É ética mesmo Paulão. Acho que para o "artista" como no seu caso a situação acaba virando um dilema. Me corrija se estiver com o raciocínio errado. Você é chamado para um trabalho e precisa executar conforme o "briefing" do cliente/agência. Se não faz conforme eles pedem, vc pode perder o trabalho ou a oportunidade de trabalhos novos. Se faz, acaba "aceitando" essa manipulação anti-ética do objeto fotografado. Com o perdão da palavra...é foda.

    Acho que acaba gerando um desgaste profissional do tipo "aceitar ou não aceitar, eis a questão" e que só dá pra ser contornado quando o artista/fotógrafo/ilustrador/diretor de arte /etc bate no peito e diz "chega, no mas" ! Mas isso só vai ocorrer com a "patente" do cara. A meninada que está ingressando no mercado de trabalho baixa a cabeça e faz...e isso significa a grande maioria do mercado. Uma pena.

    eita papo legal esse.

    abração
    Marcus

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  6. Pouts, to feliz em ver q a postagem gerou comentarios tao legais. Marcus, gostaria de nomea-lo como O Quinto-elemento! Posso? Hehe.... Eh uma conversa que me agrada mas, confesso q ando preguiçoso para escrever. Bora nos encontrar e tomar uma? Primeira rodada de Guinness por conta do Marcus, hehe ... Valeu! Em breve outras novidades e exemplos praticos. Abs. G.

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  7. Gustavo,

    fico feliz com o convite para ser o "quinto elemento", mas acho que eu decepcionaria muito vcs 4 ! Seria muito bacana conhecer vcs, exceto o velho Alan que conheço há só 24 pra 25 anos. O ponto é que estou com um filho de 2 meses em casa...então imagina só que estou "tão caseiro" a ponto de negar shows como o do Twisted Sister, do AC/DC...pra ser quinto elemento "tem que participar".

    De repente fica mais fácil se eu for o "elemento surpresa"...posso aparecer uma vez ou outra pra bater um papo com vcs !

    abração
    Marcus

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  8. ahahahahaha muito bom!
    temos um "mini-marcus" então?
    boa! manda uma foto dele com uma camisetinha do Metallica pro blog cacildis! E vamos tentar nos reunir sim, breja e papo! abs G

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