quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O som do Valvulado!

O post abaixo eu fiz faz um tempinho lá no UoD. To divindo por aqui por que os caras estão fazendo um puta trabalho bacana e (além de eu ter meu Valvulado ViraLata na sala de casa) por acompanhar de perto as ações que estão preparando (o que deixa muito lisonjeado, pq a parada é sincera e foda).

Fiquem de olho que vai rolar uma promo de natal em que o vencedor leva um ampli pra casa. (logo posto novidades por aqui).


Valvulado | “agudos crocantes como nozes fritas”

por Gustavo Giglio | Música | via Update or Die

Toda semana tem um dia reservado para o Valvulado. Em pouco tempo esse ritual já virou uma necessidade. Alguns Updaters se reúnem para ouvir um som em um equipamento bacanudo ou para fazer jams regadas a uma boa cerveja (de preferência um ou dois belos e saborosos pints de Guinness).

Em mim sempre fica uma pulguinha atrás da orelha. Na realidade, a diferença e a quantidade de novas dimensões que ouvir ou tocar em um equipamento valvulado nos oferece, é clara. Mas que raios é um valvulado? Qual a diferença? Para obter essas respostas fui direto nas fontes mais confiáveis no assunto que conheço.

Bati um papo rápido com Gustavo Ziller, amigo Updater e com Marcos Bonas da Gato Preto Classics, empresa fundada no começo de 2010, por três amigos que juntos formam um blend de conhecimentos em áreas específicas e complementares como engenharia, áudio hi-fi, gestão de empresas, tecnologia e música. Em comum está a paixão quase obsessiva por amplificadores valvulados.

Segundo Ziller, Válvula é simples. “O som entra dentro do vácuo da válvula, é aquecido, engordado e comprimido sem perder frequências importantes para o resultado final. Na prática num amplificador valvulado a energia captada na gravação fica evidente, os timbres, as diferenças de tonalidade, música com textura, cor e dimensão. Isso tudo porque os amps valvulados precisam de muito mais energia e de tranformadores que adequam a saída do áudio ao falante da caixa. Nesse momento acontece toda a poesia e o timbre final é abissalmente bonito”.

Para Bonas, a explicação é a seguinte: “Do ponto de vista técnico, o sinal da guitarra que entra em um amplificador valvulado é comprimido, agregado, rasgado. Tudo isso dentro das incandescentes válvulas de power. E é exatamente este processo que imprime como uma digital o som único que emana dos falantes do amplificador. Os engenheiros chamam esta cadeia do sinal por diversos nomes. Na Gato Preto nós chamamos de mágica. E a mágica acontece diferentemente em cada tipo de projeto, nos diferentes tipos de válvulas usadas, na potência do amplificador. Você pode ter por exemplo um amp que dá mais ganho, com um som mais rasgado (comumente chamado de british sound — estilo Marshall) usando válvulas EL-34, EL-84. Para sons de guitarra clean, limpa, sem distorções, pode-se usar no valvulas 6L6, 6V6, Kt66, KT88, ou seja, tipos de válvulas que tem maior headroom”.

Vai mais longe: “Como especialistas em vinhos, especialistas em guitarras classificam timbres de acordo com o som produzido. Já ouvi desde “um som encorpado e mais gordo que cachorro de açougueiro” à “agudos crocantes como nozes fritas”. Tudo neste universo é subjetivo, mas sempre com muito embasamento e estudo. Assim sendo, como em qualquer processo artístico, é possível “brincar” com diferentes tipos de projetos, componentes, alto-falantes e válvulas, de forma que seu amplificador entregue exatamente o timbre que está em sua cabeça”.

Desculpem o postzão. Precisava matar essa curiosidade. E, para finalizar, agora que sabemos tudo sobre o Valvulado, pedi um exemplo matador de som. Ouça após o jump.

. Layla do Derek and the Dominoes. “Eric Clapton gravou este disco usando um amplificador Fender Champ Tweed de 1956. Simples, pequeno e de um timbre magnífico. Não há tecnologia atual, mesmo a presente nos mais modernos e caros processadores de sons, que faça uma guitarra chegar perto deste timbre. Apenas um bom valvulado”. Finaliza Bonas.

Um comentário:

  1. beeeeeeeelo post

    eu me recordo até hoje do meu primeiro valvulado. Um Laney de 15w. Nunca vou esquecer quando testei o amp na loja e virei o power (volume) lá pelo 6 e o pre (gain) nuns 4...não botava fé no drive orgânico que pintou graças às válvulas trabalhando. Porra...dava vontade de me desfazer de todas as latinhas de drive que eu tinha.

    com o tempo, fui me "especializando" e enlouquecendo com o timbre das válvulas. Enlouquece porque pelo menos pra mim, mais de 75% do timbre de alguém vem mais da escolha do amp do que o tipo de madeira ou captação da guitarra. O timbre influenciado pela guitarra, para mim é até "sutil" quando comparamos com o timbre criado pelos amps. Claro, dá pra matar de longe o timbre de uma Strato, estaladão, e de uma Gibbo, seja LP, SG, V, Explorer...com aquele gravezaço gordo, redondo. Mas nossa...o segredo tá no amp heeheheh

    tem um site lindo, chamado MUSICTOYZ (www.musitoyz.com) que tem uma frase sensacional que ilustra a eterna busca pelo timbre ideal ..."the search never ends". A gente fica tão obsecado com as nuances do timbre que começa a descobrir (infelizmente pro bolso) que a marca das válvulas faz uma puta diferença no resultado final. Descobri a duras penas que as válvulas chinesas ou russas não prestam...Sovteks, que vem numa pá de amps de fábrica deixam muito a desejar quando comparamos com Mullards, JJ Teslas, Philips...aprendi muito das válvulas com um americano doido de pedra, o Bob Pletka, dono desse site/lojinha de válvulas, Eurotubes (www.eurotubes.com). O cara me convencia a cada e-mail trocado das pequenas diferenças daquelas "lampadinhas"...

    Hoje, com um guri de 1 ano em casa, tive que abrir mão dos meus valvulados...mas por um tempo ligeiro. Meu último valvulado foi um Carvin Legacy. Era um timbre legal, porém IMPRATICÁVEL dentro de um apartamento. Esse é o principal custo de um valvulado. O timbre só aparece com o power amp (volume) bem aberto, coisa que o Clapton + Duanne Allman fizeram no Layla Sessions...só que no caso deles, como vc bem disse, era um ampzinho de 5w...que mesmo assim grita como o demônio quando no talo. Eu curtia mesmo o amp quando pegava um estúdio...de preferência a salona do High 5 ! Ali vc ouve a besta berrando e sente até o cheiro das válvulas fritando. É demais.

    Hoje, se fosse pra pegar um valvulado seria sem dúvida nenhuma um ENGL. Já tive a oportunidade e felicidade de usar Mesa Boogies, como o Road King, que é uma loja de válvulas ambulante, tamanhas as possibilidades de combinação de válvulas de power e pré, Soldano SLO100, o mesmo que o Warren Haynes usa...mas porra, quando ouvi os ENGL meu mundo girou...

    Ouçam isso...

    ENGL POWERBALL :
    http://www.youtube.com/watch?v=Ud3F1G_EgOA

    ENGL Ritchie Blackmore :
    http://www.youtube.com/watch?v=3MPslfXqFa4

    Em nenhum dos videos os caras usaram pedais no loop ou front...

    pra variar escrevi demais...acho que foi o tempo que fiquei longe daqui !

    abração
    Marcus

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